Depoimentos diversos sobre a Arte de Rono Figueiredo  escrito em sábado 16 dezembro 2006 13:00

Blog de ronofigueiredo :A Arte de Rono Figueiredo, Depoimentos diversos sobre a Arte de Rono Figueiredo
 

"Rono Figueiredo desponta no cenário baiano das artes plásticas como o mais novo expoente da arte Pop. Suas telas apresentam uma linguagem direta com o público. O magnetismo de seus desenhos e pinturas é imediatamente captado pelo olhar do espectador".                  

                                                         Adelyne Lacerda, jornalista

"A arte de Rono Figueiredo é acima de tudo muito divertida, explora o Pop com propriedade, passeia pela psicodelia dos anos 70 com tranqüilidade, cita a brasilidade dos modernistas sem preconceito, o cromatismo de Romero Britto e Frida Khalo ou o traço afinado de Modigliani, e ao mesmo tempo tem identidade".

            Doris Miranda, jornalista em matéria para o Correio da Bahia

"Rono aderiu à temática do cotidiano nordestino e de sua cidade do Salvador e já desponta uma ‘escrita' própria, tanto nas cores fortes e bem harmonizadas como no desenho".

                                                   Sante Scaldaferri, artista plástico

"É uma explosão de cores, um contágio de alegria!!"

                                                               Diogo Lopes Filho, ator

Para conhecer o trabalho do artista visite:

http://www.ronofigueiredo.blogspot.com/

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Zilda Mello  escrito em sábado 16 dezembro 2006 12:57

Blog de ronofigueiredo :A Arte de Rono Figueiredo, Zilda Mello
   

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

INSTITUTO DE LETRAS

DEPARTAMENTO DE FUNDAMENTOS PARA O ESTUDO DAS LETRAS

Zilda Mello

O artista plástico baiano, Rono Figueiredo, expôs os seus quadros na galeria Moacir Moreno no teatro XVIII, no Pelourinho. Pode-se ainda ter acesso às imagens desses trabalhos, visitando o site, www.ronofigueiredo.blogspot.com. Este artista nasceu em Salvador, em 1978 e cursa o 4º semestre de Artes Plásticas, na Universidade Federal da Bahia. A sua obra tem por tema "As Faces de Maria", e representa uma reverência aos diversos tipos de mulheres: mulheres comuns, guerreiras, famosas. Todas emblemáticas. Todas tendo algo em comum: um toque de doçura e simplicidade, o que justifica o nome Maria (alusão ao que esta palavra representa de religiosidade). Muitas destas mulheres têm características brasileiras: Paraguaçu, a Mulata d` água, Maria Bonita, entre muitas. Outras fazem intertexto, entre a pintura  de Rono e a arte pictórica mundial. É o caso do retrato de Frida Kahlo, uma artista famosa mexicana.

Como pano de fundo para o seu trabalho, Rono foi buscar um solo multicolorido, no qual estas mulheres se assentam. Foi atrás de recursos formais no mundo africano, na escultura e na pintura tradicional daquele povo. A arte tradicional na África, segundo Ola Balogun, tinha como propósito primordial a representação, ou então possuía  um valor  funcional. As máscaras representavam um disfarce místico, através do qual se podia absorver a magia dos espíritos, e através desta aura influir positivamente nas realizações da comunidade. Mas quando se fala em representação, não se diz uma cópia simplesmente: diz-se, que em várias regiões da África, a natureza das coisas era pincelada em tecido, ou inscrita em pedras e barro, conforme o ponto de vista do artista. Assim, se a sua liberdade o guiasse para novos modos de reverenciar o seu mundo, ele o faria diferente, isto é, poderia modificar um símbolo representativo de uma entidade espiritual, ou de um objeto, contanto que a coisa representada ficasse evidenciada através da sugestão. 

De modo quase análogo ( a arte hoje é mais abstrata) vejo as Faces de Maria. Começo a observar um quadro que primeiro me chamou a atenção: o de Maria Bonita, que aparenta uma  simples "representação", até naturalista: a vestimenta, a cartucheira, e o amarelo do sol causticante no lugar do tom agreste da paisagem. Visão inconfundível de uma mulher guerreira. Mas Rono dá um salto,  de naturalismo passa para o expressionismo. Será? Que entendo eu de arte? Percebo apenas que o artista não se deixou interpretar totalmente. Vejo que aos cactos, faltam-lhes os espinhos. Também estes cactos são figuras estilizadas, assim como são estilizados, (distorção da realidade) os desenhos das mulheres, com os seus traços alongados, com seus olhos excessivamente grandes, lembrando figuras geométricas.

 A harmonia figura -fundo, porém, permite-me fazer inferências, e assim, atrevo-me a dizer que os espinhos dos cactos ultrapassam a superfície visível  do quadro, e se cravam no seu interior. Pode não ser nada disso, pois como diz Susan Sontag " a interpretação é a vingança do intelecto sobre a arte". A pintura deve em primeiro lugar produzir impressões tácteis, sensações. E ainda, vem-me à mente o seu sábio conselho sobre a recuperação de nossos sentidos: " devemos aprender a ver mais, ouvir mais e sentir mais". É relativo, penso. O artista ao seu modo, e da forma como se articula com o seu mundo, realça a percepção que tem dos objetos, das figuras humanas ou dos acontecimentos. Mas isso não quer dizer que as "coisas" por si só não se mostrem e não se declarem concretamente. Ademais, sobre o mistério da criação, quem há de saber?

Detendo-me no que vejo, percebo que Rono se apóia realmente no simbolismo africano para enriquecer o seu modo de inventar. Na internet há um quadro denominado Etnia (nem sei se pertence às Faces de Maria), no qual se distinguem os membros inferiores de uma mulher negra: pernas alongadas e desenvoltas, passos largos, como se bailasse. Os membros superiores,  são formas indistintas, talvez uma cabaça esteja  ocupando o espaço da cintura para cima. Puro contraste: movimento e recuo. A mulher negra, e livre, e em marcha para frente. E também essa mesma mulher, presa às suas origens: ligada a um mundo simples e natural, representada por um objeto útil (a cabaça) provindo da mãe natureza. Tudo não passa de sugestão, bem sei. E ainda neste quadro, sinto a impressão de que tudo ocupa um lugar adequado, impressão esta, derivada do contraste das cores: um fundo preto versus desenhos brancos,  e o marrom terroso harmonizando este contraste. Tudo inspira paz.

A linguagem das cores por sinal, permeia toda a temática, "As Faces de Maria". Para cada quadro, elas imprimem um tom: as cores brilhantes, como o vermelho, o amarelo e o azul, sugerem movimento e intensidade. O colorido vibrante do quadro " a mulata d´água," parece imprimir  vigor aos passos daquela "Maria", fazendo com que a rua e as  casas caminhem juntos com ela. O amarelo, que forma o fundo e paisagem, no quadro " Maria Bonita", é representativo de  sol causticante e da natureza agreste. Em "A Poética" a exuberância de cores, azul, verde, amarelo e lilás, assim, todas juntas, se transformam em  quentura e traduzem sedução. Muito coerente com o nome do quadro, "A poética", é uma  obra repleta de poesia e sensualidade. Vê-se neste quadro uma mulher de formas voluptuosas contendo uma rosa vermelha na mão. Quem  quer se mostrar e seduzir, a mulher ou a poesia?

Em resumo, situei a obra de Rono sob dois focos: entre o dizer e o sugerir. Acho que nestes quadros, forma e conteúdo se mesclam, e expressam o que há de comum nas Marias - a doçura e  simplicidade feminina. Forma e conteúdo também evocam, e assim, fazem as Marias se transcenderem para universos múltiplos. A título de exemplo: em  Frida, haverá quem pense na sua difícil trajetória, de vida e de arte; em Maria Bonita, o universo social das lutas de classes será revisitado; na Mulata d` água, haverá  quem deseje acompanhar  os passos da mulher afro-descendente: sua caminhada e tropeço, partindo da escravidão aos  tempos de hoje.

Rono, um artista jovem, soube ser coerente com Nestor Canclini ( em Culturas Híbridas - das Utopias ao Mercado) no que diz respeito à  busca de recursos renovadores em regiões  que sempre estiveram à margem da cultura Ocidental. Canclini analisa este fato, dizendo  que na modernidade, a arte salta das utopias e se firma no mundo do mercado, e é por esta razão, que precisa se revigorar, ser mais abrangente, diluir suas fronteiras e quebrar a pretensa autonomia. Foi o que  Rono e outros artistas fizeram, inclusive Picasso. Buscaram a mãe África para redimensionar a estética desta arte, tornando-a perceptível também para as pessoas comuns. É neste alargamento da arte que Canclini a insere dentro das perspectivas do mercado,  no contexto  de divulgação e recepção. Não é por acaso que Rono inseriu no espaço da internet, um trabalho de muita qualidade.

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Texto de Michèle Sato  escrito em sábado 16 dezembro 2006 12:43

Blog de ronofigueiredo :A Arte de Rono Figueiredo, Texto de Michèle Sato
 

DEPOIMENTO

Michèle Sato, doutora em ciências, professora e pesquisadora universitária e com forte inserção na arte-educação-ambiental.

Perceber a arte de RONO FIGUEIREDO é como adentrar a um oráculo filosófico de cores, odores, aromas e sentidos polissêmicos da sensibilidade humana. Com estilo próprio de quem ousa criar, o talento do artista revela um contraforte de cores, sensualidade e mosaicos que se sustentam na cultura brasileira. Ressignificando o olhar, Rono não é um mero artista plástico, mas vai além: expressa-se, também, através de uma filosofia com a linguagem diferenciada. Sua estética convida à transcendência da existência, onde memórias, símbolos, sonhos e desejos se rivalizam como se fosse uma visita a um oráculo.

No holofote das luzes, pequenos artesanatos juntam-se ás telas e esculturas, favorecendo uma metalingüística que transcende o ser, com liberdade para interpretar o trabalho subterrâneo da arte. As obras paralisam em alguns momentos, como se permitisse o invisível e o silêncio da transcendência de valores e não apenas de forma, assinalando o desejo impetuoso da revolução. Parece que sua criação poética inspira a transformação da matéria prima em uma energia grandiosa da beleza.

Filosofia e arte lutam contra a satisfação carnal, sorvendo a flor e o orvalho, os tons e semitons do espírito ao milagre da transformação. O oráculo de Rono soa como a revelação de Fernando Pessoa: "tanto a arte como a ciência, é uma confissão que a vida não basta". A linguagem poética é metafórica, mágica e feiticeira. Convida-nos a submergir e emergir no plano cotidiano e grandioso, e no limite do mundo, transcender o próprio sonho. A filosofia é singular, pois nenhuma obra é igual a outra. Há sua marca indelével de olhar o mundo, que também se transmuda nas variações das temáticas, na interpretação orgástica dos símbolos, no voyeurismo obsessivo de sua esperança, ou na sensualidade de seu convite. RONO FIGUEIREDO é, enfim, um nome que revela uma linguagem que ressignifica o mundo.

Visite:

www.ronofigueiredo.blogspot.com

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Arte no Brasil - Conceito tropical  escrito em sábado 16 dezembro 2006 12:01

Blog de ronofigueiredo :A Arte de Rono Figueiredo, Arte no Brasil - Conceito tropical
 

Arte no Brasil - Conceito tropical     

Adelyne Lacerda

 

Traçar um panorama sobre a arte brasileira hoje, impõem uma grande responsabilidade para quem o faz. Seria uma prepotência dizer quais os artistas que mais se destacam num cenário tão promissor, em uma das nações mais proficientes (competentes) em artes visuais.

Porém já é possível  perceber que uma "mudança de conceitos" tem aberto as portas de museus, galeria, e principalmente lares, para  o que se produz hoje no país.

O espectador e o crítico procuram enxergar através do olhar do artista e não mais somente o que está na tela (suporte).

Há pouco tempo o mercado cultural demonstrava uma grande estima pela "arte conceitual" e atualmente vemos que isso está ultrapassado. O artista brasileiro, em sua maioria,  continua resgatando elementos vindos da vivência individual e coletiva porém de modo mais subjetivo, experimentando todas as possibilidades de linguagens estéticas. É moderno e criativo, sem se distanciar de sua memória afetiva e cultural. Constrói uma realidade buscando no passado as referências. Por isso, quase sempre, em uma obra de arte original e contemporânea, observa-se a presença de elementos regionais mas de uma forma bem mais implícita.

Arte no Brasil também é um exercício de resistência. Num país onde ainda se convive com desigualdades sociais, o consumo de cultura ainda é muito complicado. Mas isso está mudando aos poucos com o surgimento de uma instigante produção contemporânea e com a postura de uma nova geração de artistas que parece  menos preocupada com a mídia,  críticos de arte e opiniões técnicas. É claro que todos querem sobreviver do que produzem, mas o que se observa é um desejo maior pelo reconhecimento popular. Atingir, sensibilizar cada vez mais pessoas que entendam sua poética, sentimentos, linguagem... e que o consumo possa se tornar então, apenas uma conseqüência desse entendimento.

Com esse perfil encontramos uma nova safra de artistas do Nordeste do país, a exemplo de Romero Brito, Rono Figueiredo e Menelau Sete, sendo os dois últimos nascidos na Bahia - estado conhecido no mundo inteiro por suas riquezas naturais e culturais, pelo colorido tropical de suas praias e do carnaval de rua com sua autentica musicalidade. Pois  nas artes plásticas os baianos seguem a tendência dessas vibrações, cada um com suas referências particulares, porém com linguagem própria. Nesse cenário podemos destacar o jovem artista plástico, Rono Figueiredo que assim como Menelau e Romero -  já conhecidos em Nova York- começa a conquistar os americanos através do magnetismo de sua arte. Rono surge com todos os elementos que se encaixam no atual panorama e se destaca pela originalidade do traço limpo, linear, firme e cheio de personalidade. Tem o que se pode chamar de "identidade" inconfundível. É como ver um quadro de Pablo Picasso sem assinatura e dizer: é um Picasso!

A arte de Rono é divertida, alegre e ao mesmo tempo introspectiva. O mistério está sempre presente no olhar de suas mulheres estilizadas. Seja na série "África" ou na "As faces de Maria" - título de sua primeira exposição individual em cartaz na galeria do Theatro XIII, o espaço cultural mais "cult" da  capital baiana , a cidade de Salvador.

Em "As faces de Maria" Rono abusa das cores vibrantes que perecem querer explodir na tela ao serem contidas pelo forte contorno preto - característica principal de sua obra. Seus desenhos são simples mas bastante expressivos e nos remetem a personagens de histórias em quadrinhos.

Nessa série o artista homenageia mulheres do cotidiano da cidade e personagens da sua cultura. Em Abaeté - tela exposta na galeria N° 22, em Londres - Rono recria uma típica lavadeira da lagoa do Abaeté, um dos pontos turísticos mais visitados no mundo.

"Procuro retratar diferentes raças e etnias em situações do cotidiano valorizando formas e curvas. O nome "Maria" por ser muito comum no Brasil foi uma forma de criar uma identificação entre as mulheres e as personagens representadas na minha arte", disse Rono Figueiredo sobre o motivo dessa homenagem.

Já na série "África", o artista investiga suas raízes mas rompe as amarras através de uma linguagem singular. Não está preocupado com o "discurso" sobre arte conceitual e sim com a comunicação com o público através da expressão de sua poética. E nisso ele é fantástico. Utiliza os tons terrosos com muita propriedade e a técnica mista ao criar com cera, acrílica e papel seda, texturas inusitadas.

"Esta série tem bastante influencia da cultura africana, com seus simbolismos, crenças e costumes. Seria impossível ficar imune a uma cultura tão rica e tão presente em minha cidade. O resultado é fruto de  pesquisa e vivência nesse lugar tão rico em manifestações culturais", complementa o artista.

Rono tem estilo próprio mas é claro que sua obra também sofre influências de outros artistas como o cromatismo de Frida Khalo e o desenho de Modigliani. Mas são pequenas referências em sua memória perceptiva. A personalidade desse artista já é tão forte que não deixa dúvidas ao bom observador que tivesse que arriscar identificar uma pintura dele sem assinatura. "sim, esse é um Rono Figueiredo", diria sem pestanejar.

Veja as obras de Rono:

www.ronofigueiredo.blogspot.com

 

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